A planície do Pantanal, que tem sua maior parte localizada em Mato Grosso do Sul, tem 82% da sua vegetação natural preservada, mas no planalto, onde estão as cabeceiras dos rios que alimentam o bioma, e que se concentra em 25 municípios de Mato Grosso, esse índice cai para 45,5%. Na bacia do Alto Paraguai como um todo, esse percentual é de 59,7%.

G1 ms

Os dados são do estudo “Bacia do Alto Paraguai – uso e ocupação do solo” lançado nesta terça-feira (20), em Campo Grande, pela WWF-Brasil, Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e a Fundação Tuiuiú.

A pesquisa atribui esse resultado aos diferentes modelos de ocupação desenvolvidos na bacia. “Enquanto que nas áreas de planície pantaneira foi desenvolvido um modelo de ocupação baseado na pecuária extensiva, com a utilização de pastagens nativas, com certo nível de manejo, preservando a vegetação original, nas áreas de planalto ocorreu a substituição da vegetação original por monoculturas, como soja e pastagem exótica”, aponta o levantamento.

O analista de conservação da WWF-Brasil, Cássio Bernardino, disse ao G1 que desde 2008 a entidade e outras instituições vêm monitorando a ocupação do solo na bacia, mas que nesta edição da pesquisa o trabalho tem uma novidade, foram utilizadas por meio de uma parceria com a universidade, imagens do satélite “LandSat 8”, possibilitando um georreferenciamento dos dados.

O professor, Fabio Ayres, que participou do levantamento como representante do departamento de Geografia da UCDB, explica que para fazer o georreferenciamento, foram utilizadas 28 imagens captadas entre julho e agosto de 2016 e que em uma próxima etapa do trabalho, poderá ser feita uma análise mais detalhada destas informações, possibilitando, por exemplo, fazer um ranking dos municípios com maior área preservada na região.

Professor Fabio Ayres do departamento de Geografia da UCDB apresentou os resultados da pesquisa (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)

Situação do planalto

O analista da WWF-Brasil aponta que as análises dos dado levantados pelas imagens e do Cadastro Ambiental Rural (CAR) permitiram quantificar o déficit de áreas de reserva legal no planalto da bacia, que chegaria a 392 mil hectares e que demandaria para sua recuperação investimentos em torno dos R$ 3,9 bilhões.

“A Bacia do Alto Paraguai, como todo sistema natural desconhece limites geopolíticos. Impactos em suas porções mais altas podem propagar efeitos por toda a bacia”, ressaltou Bernardino, completando que os impactos nas porções mais altas podem propagar seus efeitos por toda a região.

Entre esses impactos estaria uma alteração no ciclo de inundações periódicas, fazendo com que algumas áreas permaneçam constantemente alagadas e outras não. Entre outros reflexos isso provocaria a perda de produtividade da pecuária na planície, desalojaria populações e diminuiria o preço dos imóveis.

Para demonstrar a importância da integração de ações, participaram do lançamento dos dados um grupo de professores da Universidade Nacional de Assunción, no Paraguai. “Estamos interessados em utilizar essa mesma metodologia em um levantamento que faremos sobre a ocupação do solo no Paraguai e também queremos participar dos esforços para preservar o Pantanal, que não é do Paraguai, não é da Bolívia, não é do Brasil, é de todos”, concluiu.

Planície

Na planície pantaneira o estudo aponta que dos 140.534 quilômetros quadrados, 115.230 são ocupados por vegetação natural, sendo 59.845 de pastagens nativas (savana gramínea) e 39.573 de formações florestais, entre outras. Já as áreas que sofreram ação humana, chamadas de antrópicas, ocupam 15.996 quilômetros quadrados e as preenchidas pela água, 9.302 quilômetros quadrados.