A polêmica dieta low carb em pacientes diabetes tipo 1

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Dietas com restrição de carboidrato ganharam evidência nos últimos anos principalmente no tratamento de pacientes com diabetes mellitus tipo 2, no qual há predomínio de resistência insulínica e constante associação com síndrome metabólica. Porém, recentemente, um polêmico artigo retomou o assunto mas, desta vez, enfatizando tal medida em pacientes com diabetes mellitus tipo 1 (DM1).

Há 7 anos, o Dr. Richard K Bernstein, médico do New York Diabetes Center, em Mamaroneck, e portador de DM1, descreveu em seu livro, denominado “The Diabetes Solution”, os efeitos de uma dieta com elevada restrição de carboidratos em pacientes com insulinopenia. Baseado nisso, no último mês, foi publicado na revista Pediatrics um estudo realizado no Boston Children’s Hospital, onde os métodos de dieta com quantidades mínimas de carboidrato descritos no referido livro do Dr. Bernstein foram reproduzidos.

THE DIABETES SOLUTION

O estudo incluiu 316 indivíduos, dos quais 54% eram adultos e 42% eram crianças, recrutados de uma comunidade no Facebook onde todos eram portadores de DM1 e já seguiam a dieta recomendada pelo Dr. Bernstein. A idade média dos participantes foi de 16 anos, com 11 anos de diabetes e 2,2 anos de dieta com restrição de carboidratos. O método descrito no livro inclui, dependendo do peso do paciente, até 30 gramas de carboidratos por dia derivados de vegetais e sementes com baixo índice glicêmico. Alimentos com alto teor proteico substituíram os carboidratos e as doses de insulina foram ajustadas empiricamente, com base nos valores de glicemias basal e pós prandial. Os dados médicos dos pacientes elegíveis foram revisados e confirmados através de informações obtidas em prontuários. O consumo médio de carboidratos dos participantes foi de 36 gramas por dia e a média de hemoglobina glicada (HbA1c) foi de 5,67%, o que representa uma queda de 1,45% após a adoção à dieta restrita em carboidratos. Em uma análise regressa, o consumo de carboidrato foi o único preditor significativo de variação da HbA1c (P = 0.001), com um aumento de 0,1% na HbA1c a cada 10g de carboidrato consumido. A dose média de insulina utilizada foi de 0,4U/kg/dia. Apesar da grande preocupação acerca da ocorrência de hipoglicemias, dislipidemia e prejuízos no crescimento das crianças, isso não foi demonstrado no estudo. Os pacientes apresentaram uma taxa de hospitalização considerada baixa (2%).

A restrição de carboidratos é a solução?

Apesar dos resultados descritos no estudo, é inegável que há um substrato importante para o questionamento da validade externa do mesmo. Desde a amostragem, composta de pacientes extremamente compromissados e já aderentes ao método de dieta estudado, até a conferência de dados através de anotações em portuários médicos, o estudo em questão é passível de críticas. Parece claro que, numa população geral, tanto o conhecimento da doença como o comprometimento dos mesmos com o tratamento não seriam comparáveis aos da amostra estudada e, de fato, isso pode ter gerado um viés de consequência, reduzindo a taxa de complicações e gerando um resultado melhor nos níveis glicêmicos.

Por outro lado, os resultados do estudo encorajam o investimento no assunto com a necessidade de reproduzi-los em clinical trials mais bem estruturados. Além disso, mostrou-se que, com comprometimento, é possível obter uma taxa de complicações bem abaixo do considerado normal na população geral.

Fonte: https://pebmed.com.br/a-polemica-dieta-low-carb-em-pacientes-diabetes-tipo-1/

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