Mãe da universitária que abandonou bebê na fronteira pede socorro

Mulher falou sobre a burocracia na resolução do problema da liberação da criança para ser levada para Goiás

A senhora Angelina Pereira Rosa Guilarde, moradora da cidade de Goiânia, Estado de Goiás, está na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, fronteira com Ponta Porã-MS, por causa de situação em que está passando a sua filha Angélica Pereira, de 22 anos, que está sendo conhecida na fronteira como a mulher que abandonou uma criança recém nascida, em frente a residência da professora Lurdes Delgado, no bairro Virgem de Caacupe, na noite do dia 6 de dezembro de 2018.

A reportagem do site Pontaporainforma e da Rádio Amambay AM 570, através do repórter Ronald Ledesma, entrevistou a senhora Angelina Pereira Rosa Guilarde, que falou de como recebeu a notícia e o que está fazendo para resolver essa situação.

A mulher disse que a filha está internada em uma clinica em Pedro Juan Caballero, devido ao estado de saúde que se encontra, sendo que foi comprovado que esta com depressão pós-parto e outros problemas de saúde em decorrência do próprio parto.

“Ela teve o bebê em Ponta Porã, no Brasil e este foi abandonado no Paraguai, isso devido ao estado clinico dela que não estava em sã consciência, tanto é que quando ela se recuperou ela foi atrás da criança, só que ela não encontrou mais, então ela ficou desesperada. Eu estava em Goiânia e ela me ligou e pediu para eu vir aqui, pois tinha um caso muito sério para falar comigo. Viemos eu e meus filhos e chegamos aqui e nos deparamos com essa situação que foi uma surpresa muito grande”, disse a mãe.

Segundo dona Angelina, sua filha, Maria Angélica Galdino, nunca teve nenhum problema de saúde, terminou os seus estudos e quis vir para o Paraguai cursar medicina. Contou que não sabia da gravidez da filha, informou ainda que a própria filha demorou saber da gravidez.

“Eu vim aqui, porque eu quero levar o meu neto e minha filha para Goiânia para eu cuidar dela, fazer um tratamento sério pra ela melhorar mesmo, pois ela está precisando de apoio da família, tratamento e o meu neto precisando da família que somos nós. Eu comprovei e tirei o registro do meu neto, e eu quero levar ele”, disse dona Angelina.

Em um momento tenso da entrevista, a mãe de Maria Angélica Galdino, senhora Angelina Pereira Rosa Guilarde, disse que está pedindo ajuda, “Pelo amor de Deus, que a justiça se comova com a nossa situação e nos ajude, entregue essa criança para nós e a minha filha para tratamento, pois fomos no consulado só que até agora praticamente não fizeram nada por nós. Mandaram a gente para o conselho tutelar e nós fomos, só que eles não deram nenhuma posição concreta de que eles possam ajudar a gente”, desabafou. Segundo a avó, a criança está registrada nos trâmites legais, pois nasceu no Brasil, ou seja, é uma brasileira que está entregue a uma família Paraguaia

A reportagem do Pontaporainforma entrou em contato, via whatsapp, com o Consul do Brasil em Pedro Juan Caballero, senhor Vitor Hugo Irigaray, que informou que está em período de licença, mas que não está deixando de acompanhar o caso. Os assessores jurídicos do Consulado estão atentos a esse assunto, e o problema, segundo ele, é que tudo depende da justiça do Paraguai, o problema é jurídico. O Cônsul pediu para entrarmos em contato com o escritório do Dr. Wilfrido Vilanueva que está cuidando do caso, e completou dizendo que como Cônsul do Brasil em Pedro Juan Caballero, lamenta o triste insucesso.

Foi tentado contato com Dr. Wilfrido Vilanueva, mas até o fechamento da matéria, ele não tinha respondido as informações.

Entenda o caso

O bebê foi encontrado no dia 6 de dezembro, em uma rua em Pedro Juan Caballero, município vizinho a Ponta Porã. A mãe dele, a estudante de medicina Maria Angélica Galdino, segue internada no Paraguai. Ela teve a prisão decretada pelo Ministério Público Paraguaio, por abandono de incapaz.

A jovem teria se arrependido do abandono e avisou a família, que mora em Goiás, sobre a situação. A mãe e irmãos dela foram até o Paraguai, entraram em contato com o Ministério Público, disseram que ela está com transtorno psicológico e que irá se apresentar quando receber alta.

A universitária está internada em um hospital particular de Pedro Juan Caballero e a polícia acompanha em frente à unidade de saúde. O bebê está com uma família paraguaia e caso a universitária queira ficar com ele, terá que pedir a guarda na Justiça do país vizinho através do Consulado Brasileiro.

Fonte: PontaPorãInforma